Teste com mixer Behringer DDM-4000 x VirtualDJ

Sat 06 Mar 10 @ 7:21 pm

Antes de mais nada, meu agradecimento à Casa da Música de Volta Redonda, aos Srs. Amauri e Rogério, que abriram suas portas e cederam diversos itens para realização deste teste.

1) Equipamentos e programas utilizados

  • Mixer Behringer DDM-4000
  • Cabo M-Audio Midisport UNO MIDI/USB
  • Hercules DJ Console MK2
  • CD player Gemini iCFX
  • Headphone Sony MDR-V600
  • Notebook HP DV5-1099NR (leia as especificações neste link)
  • Sistema operacional Windows Vista 64 bits SP2
  • VirtualDJ Professional Edition v.6.0.5

2) Primeiras impressões

O tamanho e número de botões assustam no primeiro contato, mas ao fim você acaba percebendo que tudo aquilo tem sua razão de ser. Ao ler o manual, você já nota a divisão do mixer em “zonas” (canal 1, canal 2, canal 3, canal 4, sampler, crossfader, microfone, controle do fone de ouvido e saídas).

Ao ligar, o display me pareceu pouco iluminado, tive que fazer sombra para fazer as configurações necessárias para MIDI (leia logo a seguir). Os leds acesos, especialmente no escuro, impressionam pelo belo colorido, refinando o aspecto do equipamento.

Importante citar que meu objetivo durante o teste foi verificar o desempenho do mixer com o programa VirtualDJ, ou seja, como controlador MIDI e com timecodes. Durante 3h tive o equipamento à disposição, mas por absoluta falta de tempo os demais aspectos “normais” do mixer não foram detalhadamente testados.

3) Conectando ao computador e configurações MIDI no mixer

O mixer possui na parte traseira, 3 conexões padrão para MIDI (out, thru e in). A conexão do equipamento com o computador é feita através de uma interface MIDI/USB, e neste caso utilizei a M-Audio Midisport UNO MIDI/USB. Para Windows Vista, bastou conectar e reiniciar a máquina que o driver do dispositivo foi automaticamente reconhecido, apesar do item ser fornecido com CD de instalação.

É fato que este mixer não possui uma placa de som WDM. Portanto, todas as saídas de áudio são propiciadas por uma placa de som externa, que pode ser uma placa dedicada ou a placa de som do seu PC. Eu utilizei a placa do Hercules DJ Console MK2.

Para que o VirtualDJ reconheça os comandos do mixer e funcione normalmente, são necessários arquivos de mapeamento, ou mappers, que podem ser obtidos neste link (somente para usuários PRO). Os dois arquivos de mapeamento devem ser colados em C:/meus documentos/virtualdj, sendo um na pasta mappers (arquivo mapper.xml) e outro na pasta devices (arquivo definitions.xml).

Como já explicado acima, o mixer é dividido em zonas. Portanto, cada zona pode operar separadamente em modo MIDI ou não. O mapper acima citado foi feito para que os canais 1, 2 e crossfader do mixer controlem virtualmente os itens do programa. Para configurar o mixer, basta acessar o MIDI SETUP e marcar estas 3 zonas para operar em MIDI. As demais zonas do equipamento operam em modo normal, ou analógico. Importante: ao definir uma zona para operar em MIDI, TODOS os seus botões e deslizantes perdem a função que tinham em modo analógico. O canal fica “morto”. A função destes botões irá depender do que for definido nos arquivos de mapeamento e do programa a ser usado com o mixer.

No VirtualDJ, entrei no “Config. Áudio” e defini:
- Inputs NONE (primeiro teste sem timecodes)
- Outputs EXTERNAL MIXER – com deck esquerdo nos canais 1&2 e deck direito nos canais 3&4
- Placa(s) de som Hercules MK2.

A primeira conexão ao mixer foi feito na INPUT 1 entrada line (deck direito) e INPUT 2 entrada line (deck esquerdo). Nota: são os mesmos canais que defini para operarem em MIDI. Isso teve uma conseqüência, que detalharei à frente, e que me forçou alterar o modo de conectar. O melhor esquema de conexão será dado ao fim deste texto.

4) Operando o sistema

4.1) O Mixer

A primeira impressão deste mixer controlando o programa foi fantástica. O mapper funcionou muito bem, o controle dos itens mapeados do mixer funcionavam bem, mas logo começaram os problemas. O botão PFL dos canais 1 e 2, se apertado, não ativava o respectivo deck conforme proposto, porém se ativado o deck através do programa, o botão se acendia e indicava o deck ativo.

O áudio saía normalmente pelos canais 1 e 2 do mixer, mesmo estando estes operando em modo MIDI. Os volumes funcionam, e também o crossfader. Uma nota: ao operar em modo MIDI, se conectado qualquer cabo na entrada do canal, o áudio sai imediatamente para o MASTER, sem nenhum tipo de tratamento uma vez que o canal está em MIDI, ou canal “morto” como acima escrito. O tratamento do som é feito pelo programa, tenha sempre esta diferença em mente.

A primeira surpresa que tive foi ao tentar realizar a pré-escuta. O fone estava conectado, o plug fica na parte superior do mixer, mas ao apertar o botão PFL dos canais 1 e 2 NADA funcionava. Simplesmente não tinha pré-escuta pelo mixer. Na meia hora seguinte, fiquei verificando o motivo disso, e cheguei às seguintes conclusões:

1 - Ao operar o programa configurado para mixer externo, SEMPRE é necessário desativar o crossfader do programa ou deixá-lo na posição central para que o áudio dos 2 decks seja enviado ao mixer externo, donde é feito todo o trabalho de transição e pré-escuta. Uma vez que o crossfader do programa estava sendo controlado pelo crossfader do mixer, eu nunca teria áudio no canal 2 se o crossfader estivesse voltado para o canal 1 e vice-versa. Em contrapartida, se eu deixasse o fader na posição central, o som do deck 1 e deck 2 se misturavam. Ou seja, com o crossfader ativo em MIDI não dá pra fazer pré-escuta.

2 - Mesmo após desativar o modo MIDI da zona do crossfader, não tive pré-escuta. Isso pois a pré-escuta é uma função analógica do mixer, ou seja, só irá funcionar se os canais mixer estiverem operando em modo analógico. Isso é conflitante com o resultado que eu buscava, pois não há como o mesmo canal operar em modo analógico e MIDI ao mesmo tempo.

A solução mais interessante para ter pré-escuta no mixer é utilizar os canais 3 e 4, que estão em modo analógico, e o crossfader operando em modo analógico e fazendo transição entre estes 2 canais. Ou seja, os canais 1 e 2 controlam o programa, porém o áudio que sai da placa de som é enviado aos canais 3 e 4 de onde é feita a operação de pré-escuta.

4.2) Timecodes

Refiz o “Config.Áudio” do programa para uso de timecodes, alterando na opção Inputs de NONE para TIMECODES.

O uso de timecodes não interferiu no resultado final. O resultado que tive ao usar timecodes neste mixer foi igual ao resultado obtidos com todos os outros CD Players que operam por timecode.

Somente registro uma dificuldade para se acostumar com o Jog da Gemini iCFX que dependendo da força exercida, faz nudge ou scratch. O resultado disso? Éh, samba!!!!

5) Conectando

O modo de conexão você pode verificar no esquema abaixo. Você pode baixar neste link o diagrama em tamanho natural.



6) Impressões finais

Trabalhando somente com áudio na configuração acima, o resultado é de um mixer normal. Mas o fato de ter que utilizar todos os canais do mixer para ter uma pré-escuta foi desestimulante. Cada canal do mixer tem 2 entradas, sendo uma delas chaveada line/phono. O uso de algum outro aparelho auxiliar é dificultado pela necessidade do programa em usar todos os canais.

Mesmo conseguindo um bom resultado para áudio, ao trabalhar com vídeo o resultado é regular. Com o crossfader fora do modo MIDI, não há como controlar as transições de vídeo do programa, que deverá ficar em modo automático e o resultado disso é uma transição rápida, que não acompanha o áudio.

No fringir dos ovos, o resultado do mixer DDM-4000 como controlador não foi muito bom. Isso pois este equipamento é prioritariamente um mixer, e não tem algo que é fundamental para o bom funcionamento de um controlador: uma placa WDM própria. Com uma placa de som própria, poderiam ser realizadas configurações internas que permitissem a seleção dos canais em modo MIDI para pré-escuta e audição destes diretamente pela saída de fone do mixer, exatamente como ocorrem em qualquer controlador.

Este resultado levou-me a reavaliar o uso de mixers com MIDI, em meus setups. Será que a dificuldade em trabalhar com pré-escuta em modo MIDI é comum aos mixers MIDI, mesmo os mais famosos (como o DJM-800)? Se a filosofia adotada por todos os fabricantes for similar, a resposta é pouco animadora. Espero que no futuro eu possa localizar um mixer que tenha simultaneamente uma placa de som WDM e um modo MIDI, e realizar testes também com este equipamento.

[Editado em 09/03/2010 - Na realidade, já existem no mercado mixers que operam em MIDI e possuem uma placa de som built-in. Achei até agora o Denon DN X1700, o Korg Zero4 e Zero8, e o Pioneer DJM-5000. Speedy53]